Herpes Zoster
Orientações sobre a doença e a prevenção vacinal
O Herpes Zoster é uma condição clínica causada pela reativação do vírus Varicella-zoster (VZV), pertencente à família Herpesviridae. Trata-se do mesmo agente etiológico responsável pela varicela (catapora), cuja infecção primária geralmente ocorre na infância.
Após o quadro agudo da varicela, o vírus permanece em estado de latência nos gânglios sensoriais dorsais. Anos depois, pode se reativar, principalmente em situações de imunossenescência (envelhecimento do sistema imune) ou imunossupressão, levando ao desenvolvimento do Herpes Zoster.
Manifestações clínicas:
Pródromos: dor, parestesia ou hiperestesia na área afetada, podendo preceder as lesões cutâneas em até 72 horas
Lesões dermatológicas: vesículas agrupadas sobre base eritematosa, distribuídas tipicamente em dermatomos (unilaterais, sem ultrapassar a linha média)
Complicações: a mais frequente é a neuralgia pós-herpética, uma dor neuropática crônica persistente após a resolução das lesões cutâneas, com impacto significativo na qualidade de vida
Outras possíveis complicações incluem acometimento oftálmico, otite externa (síndrome de Ramsay Hunt), encefalite, e disseminação em pacientes imunocomprometidos.
Atenção! Quando a infecção atinge o rosto, pode afetar os olhos — exigindo atenção médica imediata.








Tratamento:
O uso precoce de antivirais ajuda a reduzir a dor e acelerar a recuperação. Em muitos casos, as lesões cicatrizam espontaneamente em cerca de 7 dias.
Prevenção com a vacina:
A vacinação é a principal estratégia de prevenção contra Herpes Zoster e suas complicações. Atualmente, existem duas vacinas disponíveis:
Vacina recombinante inativada (Shingrix®) – indicada para adultos ≥50 anos ou imunossuprimidos ≥18 anos. Apresenta maior eficácia e pode ser usada em pacientes imunocomprometidos, pois não contém vírus vivo.
Vacina de vírus atenuado (Zostavax®) – recomendada para adultos a partir de 50 anos, com maior eficácia entre 50–69 anos. Contraindicada para imunocomprometidos.
A vacina recombinante (Shingrix) demonstrou eficácia superior a 90% na prevenção do Herpes Zoster e da neuralgia pós-herpética, mesmo em faixas etárias mais avançadas.
Recomendações finais:
Pacientes com histórico de varicela ou com idade ≥50 anos devem ser avaliados quanto à indicação vacinal.
A vacinação é recomendada mesmo para quem já teve Herpes Zoster, pois há risco de recorrência.
Profissionais de saúde devem reforçar a importância da imunização, sobretudo em grupos de risco, como diabéticos, pacientes oncológicos, transplantados e pessoas vivendo com HIV.

O Herpes Zoster é uma doença imunoprevenível com potencial de causar dor crônica e incapacitação. A vacinação, especialmente com a formulação recombinante, representa um avanço importante na prevenção, com impacto positivo na saúde individual e coletiva.
Herpes Simples
A herpes simples é uma infecção viral comum causada pelo vírus herpes simplex (HSV).
Existem dois tipos principais:
- HSV-1: geralmente causa lesões ao redor da boca e dos lábios (herpes labial);
- HSV-2: está mais associado a lesões na região genital (herpes genital).
Ambos os tipos podem infectar a boca ou os genitais, dependendo da forma de transmissão.
Sintomas iniciais iniciais: Os primeiros sinais costumam aparecer entre 2 e 12 dias após o contato com o vírus e incluem:
- Ardência ou coceira na pele;
- Vermelhidão e inchaço local;
- Pequenas bolhas com líquido, que se rompem e formam feridas dolorosas;
- Em alguns casos, febre, mal-estar e aumento dos gânglios linfáticos.
As lesões geralmente cicatrizam em cerca de 7 a 10 dias.



Tratamento:
Não há cura definitiva para o herpes simples, mas os sintomas podem ser controlados com medicamentos antivirais, como o aciclovir, que reduzem a duração e a intensidade das crises. Em casos recorrentes, o médico pode recomendar o uso contínuo de antivirais para prevenir novas lesões.
Prevenção:
- Evite contato direto com as lesões (beijos, sexo oral ou vaginal durante a crise)
- Use preservativo em todas as relações sexuais;
- Lave bem as mãos após tocar nas lesões;
- Não compartilhe objetos pessoais como copos, talheres ou batons;
- Em caso de sintomas, evite contato íntimo até a cicatrização completa das feridas.
Qual a diferença entre Herpes Zoster e Herpes Simples?
Herpes Zoster
A herpes zoster é provocada pelo vírus varicela-zoster (VZV) — o mesmo que causa a catapora (conhecido como vírus Varicela-Zoster). Porém, ao contrário da varicela, essa doença é pouco contagiosa. Após a infecção inicial, esse vírus permanece “adormecido” no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente em situações de baixa imunidade. O risco de reativação do vírus aumenta com a idade, sendo 8 a 10 vezes mais provável em pessoas com mais de 60 anos.

Herpes Simples
Causada pelo vírus herpes simplex (HSV), com dois tipos principais: o HSV-1, geralmente responsável por feridas na boca e nos lábios (herpes labial), e o HSV-2, que costuma afetar a região genital. A transmissão dessa doença ocorre por contato direto do vírus com feridas na pele ou com mucosas.
A partir da porta de entrada, ele migra para os nervos e aí permanece em estado de latência por muito tempo.

Antes de iniciar qualquer tratamento consulte um médico especialista para evitar complicações e mal uso de medicamentos.
Herpes Zoster
Herpes Simples
Manifestações clínicas
Se manifesta na pele através de pequenas vesículas, seguindo o trajeto do nervo afetado, e involui em 3 semanas. As lesões da pele são precedidas por dor no local, que como manifestação isolada acaba sendo confundida com doenças graves, como infarto do miocárdio e abdome agudo, neste último podendo até mesmo induzir cirurgia desnecessária.
Caracteriza-se pelo aparecimento de “bolhinhas d’água” (vesículas) a partir de mancha vermelha associada à sensação de coceira. É muito comum haver reincidência no mesmo local. Além do lábio e área genital, um local muito frequente é a nádega, principalmente na mulher.
Transmissão
Baixo risco de contágio após o início das lesões
Alto risco de transmissão por contato direto com as lesões
Tratamento
Existe diferença no tratamento do herpes simples e do herpes zóster.Embora ambos sejam causados por vírus do tipo herpes, o tratamento pode variar em intensidade e foco, especialmente devido às diferentes manifestações e potenciais complicações.
Focado em reduzir a duração dos surtos, aliviar sintomas e prevenir recorrências. Medicamentos antivirais orais e tópicos são comumente usados, juntamente com analgésicos e anti-inflamatórios para dor e inflamação.
É crucial iniciar o tratamento com antivirais o mais cedo possível (idealmente nas primeiras 72 horas) para reduzir a duração da doença e prevenir complicações como a neuralgia pós-herpética (dor persistente após o desaparecimento das lesões). O tratamento também pode incluir analgésicos para a dor, que pode ser intensa.

